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Volume 16, Número 4, Out/Dez - 2012

EDITORIAL

Cuidados de enfermagem e sua transversalidade: pacientes complexos e tecnologias no ambiente hospitalar

Isaura Setenta Porto1

1. Doutora em Enfermagem, Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Enfermagem Hospitalar e Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.

Este número temático permite um processo de análise e reflexão sobre o cuidado intensivo de enfermagem realizado em ambientes hospitalares a pacientes com desvios de saúde de alta complexidade. O cuidado intensivo de enfermagem, também entendido como cuidado crítico da(o) enfermeira(o), articula-se habitualmente às tecnologias duras, assim denominadas pelo uso de aparelhos e equipamentos em ambientes hospitalares, geralmente as unidades fechadas, com a finalidade de promover uma assistência especializada para pacientes em condições de saúde graves e, até mesmo, em risco de vida. Assim, os cuidados intensivos vêm ocorrendo em centros de terapia intensiva geral, para clientes com desvios de saúde clínicos e/ou cirúrgicos, ou centros de terapia intensiva especializados, que se caracterizam pela aceitação de pacientes tanto classificados pelo ciclo vital, como por exemplo, nas unidades de terapia intensiva neonatal, como pela sua patologia, como por exemplo, nas unidades coronarianas.

O cuidado intensivo, quando voltado para a assistência de clientela hospitalizada, mostra uma natureza operacional, pois implica ações e atos de cuidado, bem como intervenções e terapias de enfermagem. Porém, ele se insere em uma visão global do cuidado de enfermagem hospitalar entendido como uma categoria de natureza teóricaa.

Deste ponto de vista, o cuidado é uma amálgama que alicerça a Enfermagem, ou ainda uma transversalidade que leva à unicidade da profissão, seja nos âmbitos da assistência, do ensino e/ou da pesquisa. A argumentação para esta afirmação encontra-se no desenvolvimento da assistência de enfermagem, que se funda no cuidado, direto ou indireto, em relação à clientela; no ensino de enfermagem, que em atividades educativas aborda o cuidado para que futuros profissionais aprendam a cuidar da clientela; e, na pesquisa de enfermagem, que pode considerar o cuidado de maneira distante ou próxima, quando aborda as políticas públicas de saúde e/ou o sistema de saúde, enfoca os aspectos relativos à assistência, investiga aspectos educacionais e, ainda, focaliza a própria pesquisa. Todas elas têm o cuidado de enfermagem como interesse mais ou menos evidente.

Assim, o cuidado de enfermagem como categoria teórica central da Enfermagem Hospitalar complementa-se com duas categorias adicionais: 1) o ambiente de cenários hospitalares, local onde o cuidado ocorre e, portanto, com instalações próprias e específicas, aparelhos, equipamentos e materiais, bem como profissionais de saúde e enfermagem e pacientes e seus familiares; 2) os corpos mediadores do cuidado de enfermagem, responsáveis pela concretização deste cuidado quando ofertados pelos profissionais que cuidam e quando aceitos pelos pacientes que recebem este cuidado. Mas, o cuidado enquanto categoria teórica se evidencia também através de seus elementos em um esquema do cuidado de enfermagem hospitalar. Estes elementos estão vinculados aos profissionais de enfermagem e aos pacientes e seus familiares. E outros elementos denominados essenciais, sem os quais o cuidado deixa de ocorrera.

As categorias de ambiente e corpos associadas aos elementos do cuidado também são aplicáveis aos artigos disponíveis neste número temático. Os elementos do cuidado de enfermagem são numerosos. Entretanto, neste número da Escola Anna Nery Revista de Enfermagem os artigos assim se distribuem: (1) elementos vinculados aos profissionais de enfermagem, quais sejam: condições de trabalho, conhecimento/formação, gerência do cuidado de enfermagem e relação profissional-cuidado; (2) elementos vinculados aos pacientes e seus familiares, a saber: hospitalização e processo saúde-doença e, (3) elementos essenciais do cuidado, tais como: observação como instrumento básico de cuidar, tecnologia de saúde e enfermagem, processo de enfermagem, educação em saúde, relação enfermeira(o)- paciente e comunicação verbal e não verbal. A leitura destes artigos certamente contribuirá para a ampliação das reflexões sobre a prática profissional, a fundamentação de ações e atos de cuidar e o desenvolvimento de intervenções e terapêuticas de enfermagem.

 

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