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Ministério da Educação
CAPES

Volume 13, Número 2, Abr/Jun - 2009

PESQUISA

 

Perfil sociodemográfico de discentes de enfermagem de instituições de ensino superior de Belo Horizontea

 

Sociodemographic profile of nursing students from institutions of superior level education at Belo Horizonte

 

Perfil sócio-demográfico de los estudiantes de enfermería de instituciones de educación superior de Belo Horizonte

 

 

Aneilde Maria Ribeiro de Brito I; Maria José Menezes Brito II; Patrícia Aparecida Barbosa Silva III

IEnfermeira, Professora Titular e Coordenadora do curso de Enfermagem da Universidade José do Rosário Vellano. Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais - EEUFMG - Belo Horizonte, MG, Brasil. Brasil. E-mail: aneilde.ribeiro@unifenas.br,
IIMaria José Menezes Brito Enfermeira, Doutora em Administração, Professora Adjunta e Coordenadora do Colegiado da EEUFMG - Belo Horizonte, MG, Brasil. Brasil. E-mail: brito@enf.ufmg.br,
IIIEnfermeira da Clínica Nefrológica do Hospital Governador Israel Pinheiro vinculado ao Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Minas Gerais - HGIP / IPSEMG - Belo Horizonte, MG, Brasil. Brasil. E-mail: patriciaaparecidabarbosasilva@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

A literatura aponta correlação entre a caracterização do perfil dos discentes de Enfermagem e a adequação do processo educacional, cuja abordagem tem a dimensão de subsidiar a elaboração e a aplicação de um projeto pedagógico coerente com o sujeito desse processo. Objetivou-se neste estudo caracterizar o perfil sociodemográfico de discentes dos cursos de Enfermagem de Belo Horizonte, MG. Trata-se de um estudo descritivo, desenvolvido em cinco instituições de ensino superior privadas.A coleta de dados ocorreu mediante a aplicação de um questionário fechado. A análise dos dados pautou-se no método estatístico de frequência simples das variáveis do estudo, com posterior compilação em forma de tabelas. Os dados demonstraram opredomínio de jovens com idade de 20 a 24 anos, do sexo feminino, solteiros, de procedência escolar pública. Um considerável número desses acadêmicos exerce algum tipo de atividade remunerada, e quase metade dos que trabalham já atua na área de Enfermagem.

Palavras-chave: Educação em Enfermagem. Estudantes de Enfermagem. Distribuições Estatísticas.


ABSTRACT

The literature indicates the relation between nursing students profile and its correlation to the educational process, which supports and applies the teaching project, concerning the subject of this process. The study aimed to evaluate the social demographic profile of nursing students in Belo Horizonte/MG. It's a describing study developed in five private colleges. The data collection was made by the application of an interview. Data analysis was made by simple statistic as variable frequencies, and the results were clustered in tables. Data demonstrated that the young group, from age 20 to 24, women, and single from public school is the major group at the study. A large number of students in this group receives some kind of salary to practice their activities. Half of them work on nursing activities.

Keywords: Education Nursing. Students Nursing. Statistical Distributions


RESUMEN

La literatura indica la relación entre el perfil de los estudiantes del oficio de enfermería y su correlación al proceso educacional, donde el abordaje tiene la dimensión de apoyar y aplicar el proyecto de enseñanza, considerando el tema de este proceso. El estudio apuntó evaluar el perfil demográfico social de los estudiantes del oficio de enfermería en Belo Horizonte /MG. Se trata de un estudio descriptivo, desarrollado en cinco universidades privadas. La colección de datos fue hecha por el uso de una entrevista. Los análisis de los datos fueron hechos por estadística simple como frecuencias variables, y los resultados fueron arracimados en tablas. Los datos demostraron que el grupo joven, la edad 20 a 24, mujeres, solas de escuela pública es el grupo principal en el estudio. Una gran cantidad de estudiantes en este grupo ejercen una cierta actividad donde reciben un sueldo. La mitad de ellos trabajan sobre actividades del oficio de enfermería.

Palabras clave: Educación en Enfermería. Estudiantes de Enfermería. Distribuciones Estadísticas


 

 

INTRODUÇÃO

O processo de construção profissional da Enfermagem no Brasil sempre acompanhou a política de saúde adotada no país e o mercado de trabalho, passando, portanto, por diversas fases de desenvolvimento1. Basta lembrar que o exercício dessa profissão, até 1890, era praticado com base na solidariedade humana, no misticismo, no senso comum e também nas crendices2, e que, atualmente, a Enfermagem é uma profissão reconhecida socialmente e detentora de um corpo de conhecimento científico que fundamenta o exercício profissional do enfermeiro e dos demais integrantes da equipe de enfermagem.

Ressalta-se, entretanto, que, para alcançar tal posição, foram necessários vários debates acerca da profissão e de propostas para a formação de pessoal, tendo o mais marcante deles ocorrido durante a época do Movimento da Reforma Sanitária. "Esse contexto histórico, político e social desencadeou transformações na prática da enfermagem, inserindo e expandindo o trabalho das enfermeiras nos serviços públicos"3.

A partir da promulgação do Sistema Único de Saúde no país, fez-se necessário alterar o perfil do enfermeiro e da Enfermagem, de modo a atender ao atual modelo de atenção à saúde, que passou a considerar como objeto as ações coletivas voltadas para a Atenção Primária à Saúde4. Vislumbram-se, a partir daí, novas intervenções da Enfermagem na saúde coletiva que acarretam posturas diferentes e reconhecimento provenientes da equipe de saúde e dos usuários do sistema, como a consulta de enfermagem com foco principal na educação para a saúde.

Verificou-se, assim, que o processo de re-estruturação do setor saúde favoreceu transformações no ensino da Enfermagem. A título de exemplo, pode-se mencionar a ação do Conselho Nacional de Educação, da Resolução n. 3, de 7 de novembro de 2001, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Enfermagem (DCENF) a serem observadas na organização curricular das Instituições do Sistema de Educação Superior do país5. Tais diretrizes, que definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de enfermeiros, são estabelecidas pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, para aplicação em âmbito nacional na organização, desenvolvimento e avaliação dos projetos pedagógicos dos cursos de graduação em Enfermagem das Instituições de Ensino Superior (IES).

Na Enfermagem, essa situação se consolida, pois as ações desempenhadas pelos profissionais vêm obtendo reconhecimento tanto dos usuários quanto dos gestores de serviços de saúde, refletindo um novo status para a profissão, o que serve de estímulo para o interesse na inserção de novos profissionais no mercado de trabalho. Além disso, "a ampliação das frentes de trabalho para o profissional de Enfermagem vem contribuindo para o aumento na demanda de candidatos à profissão, o que sem dúvida tem desencadeado o aumento do número de cursos"6.

A respeito do aumento do número de cursos de graduação em Enfermagem, salienta-se que em 2000 existiam no País 183 cursos de graduação em Enfermagem, sendo 40% de instituições federais e 60%, privadas. Este número teve um crescimento de 218% no período de seis anos, passando para 582 cursos, sendo 18% federais e 82% privados. Esse dado é mais preocupante quando analisado segundo regiões, a exemplo do estado de Minas Gerais, que possuía, até o ano de 2000, 16 cursos de graduação em Enfermagem, chegando a 112 cursos em dezembro de 20077, o que correspondeu a um crescimento de aproximadamente 600%.

Tendo em vista o exposto e mediante a constatação da expansão dos cursos de Enfermagem nos últimos anos, com consequente aumento no número de alunos matriculados, surgiu o interesse de se investigarem as características sociodemográficas de discentes dos cursos de Enfermagem de IES privadas de Belo Horizonte.

Em levantamento bibliográfico realizado sobre o perfil social e demográfico do discente de Enfermagem, constata-se a escassez de estudos correlatos sobre o assunto. As produções científicas apontam a correlação entre a caracterização do perfil dos discentes de Enfermagem e a adequação do processo educacional, cuja abordagem tem a dimensão de subsidiar na elaboração e aplicação de um projeto político pedagógico coerente com o sujeito desse processo, adequando-o à realidade das necessidades de saúde da população.

Este estudo assume relevância para o ensino superior, na medida em que poderá subsidiar propostas de re-estruturação de currículos de Enfermagem e propor adaptações reforçando a coerência teórico-prática do processo de formação, de modo a complementar as necessidades pessoais e regionais e o perfil epidemiológico da população. Ademais, poderá contribuir efetivamente no processo ensino-aprendizagem, nas instituições, no campo de estudo e na análise do crescimento da profissão em Minas Gerais.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, cujo propósito é observar, descrever e documentar os aspectos de uma situação8, realizado em cinco instituições de ensino superior privadas, localizadas na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Para participar do estudo, foram convidados discentes dos cursos de Enfermagem das IES em estudo. Na época da realização da pesquisa , essas instituições tinham um total de 4.480 discentes matriculados em todos os períodos. Com base nos critérios de seleção, os colaboradores do estudo deveriam ser discentes do 1º e 6º períodos do curso de Enfermagem (o que representava um universo de 1.062 discentes), aceitar participar da pesquisa e estar presentes no momento da aplicação do questionário.

A escolha dos discentes do 1º período se justifica pelo fato de serem discentes ingressantes, sendo possível inferir que não possuíam uma visão clara do ser enfermeiro. Quanto à escolha dos discentes do 6º período, acredita-se que nessa etapa do curso os discentes já obtiveram informações e conhecimento teórico-práticos que os possibilitam uma visão mais clara e ampliada sobre ser enfermeiro, questão norteadora da dissertação intitulada "Representações sociais de discentes de Enfermagem sobre ser enfermeiro" a qual se apoia este manuscrito.

Ressalta-se que não foi de intento das autoras levantar o índice de evasão dos discentes no momento da aplicação do questionário, nem a porcentagem de discentes que não aceitaram participar da pesquisa. Dessa forma, os participantes do estudo foram representados por 430 discentes, distribuídos entre o 1º e o 6º períodos dos cursos de Enfermagem das IES privadas de Belo Horizonte, consistindo em 40,5% do total de discentes matriculados nos dois períodos selecionados.

O processo de coleta de dados ocorreu mediante a aplicação de um questionário fechado, aplicado por uma das pesquisa doras. O período de coleta de dados estendeu-se de 28 de maio a 29 de junho de 2007 e foi definido previamente com a coordenação de cada IES. Para a descrição dos perfis dos sujeitos do estudo, foi confeccionado um banco de dados no Microsoft Excel, que permitiu a análise dos perfis por meio de frequências simples das seguintes variáveis: faixa etária, sexo, estado civil, naturalidade, procedência escolar, renda pessoal mensal, entre outros.

O projeto deste estudo foi avaliado e aprovado pela Câmara do Departamento de Enfermagem Aplicada da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (ENA/EEUFMG) e pelo Comitê de Ética em pesquisa da UFMG, conforme recomenda a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde9. Todos os participantes do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, de forma voluntária, após esclarecimento da proposta da investigação. Foi assegurado o sigilo absoluto das informações, assim como a privacidade e anonimato dos participantes.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados coletados revelaram que a faixa etária predominante é a de 20-24 anos, com 36,5%, seguida por 25-29 anos, com 26,3% (Tabela 1). Essa situação reforça dados obtidos no estudo realizado em 200410 que, ao investigar como se dava a inserção dos discentes egressos em Enfermagem de uma universidade privada da cidade de São Paulo, verificou que 64% dessa população estudada tinham entre 21 e 30 anos.

A presença de acadêmicos mais jovens no curso de Enfermagem pode ser considerada, por um lado, como fator positivo à medida que os jovens profissionais poderão trazer oportunidades mais cedo, gerando perspectiva de crescimento e progresso; por outro lado, esses discentes enfrentarão os compromissos e os desafios inerentes à condição de enfermeiro, além das dúvidas sobre se essa é a profissão que eles realmente almejam. A esse respeito, destaca-se que a Enfermagem é uma das profissões mais estressantes, permeada por dificuldades e baixa remuneração11.

Verificou-se o predomínio de estudantes do sexo feminino (84,9%) em relação ao masculino (14,9%). Esse resultado ratifica o contexto histórico da Enfermagem, marcado pelo predomínio da força de trabalho feminina em atividades que envolvem o cuidado, explicitando a relação existente entre o fato de ser mulher e a opção pelos cursos de Enfermagem12.

Vale ressaltar que, apesar da preponderância feminina no exercício da Enfermagem, observou-se aumento no ingresso de discentes do sexo masculino, fato comprovado pelo percentual de 10,84% encontrado no estudo realizado em uma instituição de ensino superior localizada na cidade de São Paulo13 e do percentual de 14,9% verificado nesta pesquisa. As superações observadas no campo da Enfermagem estão relacionadas à ampliação das frentes de trabalho, consequência da maior autonomia e do reconhecimento social observados no exercício profissional do enfermeiro.

Outro aspecto identificado quando se analisou o perfil dos discentes foi o estado civil. A esse respeito observou-se que a proporção de solteiros correspondeu a 77,7% da população estudada, apresentando-se superior em relação às outras variáveis (Tabela 2). Esse resultado assemelha-se aos do estudo realizado em 200414, no qual 83% dos discentes de Enfermagem provenientes de escolas da Região Sul do Brasil eram solteiros.

A presença significativa de adultos jovens e solteiros no meio acadêmico indica que boa parte dos discentes não se encontra inserida no mercado de trabalho e não tem obrigações familiares.

Por sua vez, conforme apresentado na Tabela 3, os dados referentes à naturalidade dos participantes mostraram que 43,5% dos discentes são oriundos de outras localidades distintas da capital de Minas Gerais, sede das instituições em estudo. Isso pode ser atribuído ao fato de este estado ser um local de intensa migração inter-regional, atraindo estudantes de localidades próximas e distantes.

Esse fato é relevante, pois, apesar de indicar forte inserção dessas instituições no mercado de trabalho, os futuros enfermeiros terão como característica uma formação acadêmica distante da realidade do contexto da prática profissional, o que poderá limitar sua atuação, caso venham exercê-la em seu local de origem.

Recuperando a trajetória escolar anterior à graduação, verificou-se que 71,4% haviam estudado em instituições públicas durante o Ensino Médio e 28,6%, em instituições privadas.

Em estudo realizado pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), em 2004, com 46.859 discentes (76,1% ingressantes e 23,9% concluintes) de 352 cursos de Enfermagem, verificou-se que 54% dos ingressantes e 46% dos concluintes tiveram a sua trajetória escolar exclusivamente no espaço da escola pública. A esse respeito, os autores12 consideram preocupante a base cultural dos discentes de Enfermagem diante das dificuldades contemporâneas que permeiam o ensino público, e, contrastada com os indicadores socioeconômicos, merece atenção dos cursos e seus projetos pedagógicos, na tentativa de agregar valores a estudantes menos favorecidos.

Sobre o trabalho remunerado, 57,5% dos discentes de Enfermagem exercem algum tipo de atividade remunerada, dentre os quais 42% trabalham como técnico ou auxiliar de Enfermagem. É importante salientar que o percentual de trabalho remunerado cai drasticamente quando comparado a estudos realizados em instituições que oferecem o curso de Enfermagem em período integral, explicado pela dificuldade do exercício de atividade laboral regular, sendo o suporte financeiro familiar essencial nestes casos15.

As produções científicas16, ao buscarem apreender os motivos pelos quais os trabalhadores de nível médio de Enfermagem optam pelo curso superior na mesma profissão, verificaram, entre outros motivos, ser a graduação um meio de crescimento pessoal, profissional e para a busca de conhecimento, e, consequentemente, a possibilidade de mudar de status dentro da equipe. Além disso, ressalta-se que a própria expansão das escolas de Enfermagem, o aumento de vagas para o Ensino Superior e o Programa Universidade para Todos (PROUNI) podem colaborar para a ascensão profissional dos discentes, porque as faculdades privadas de Enfermagem têm atraído cada vez mais o profissional de Enfermagem de nível médio, oferecendo bolsas de estudo e, até mesmo, abrindo unidades próximas à periferia das grandes cidades, objetivando facilitar o acesso desses estudantes à faculdade.

A renda pessoal mensal de 46,7 % dos discentes concentra-se na faixa de 1 a 3 salários mínimos (Tabela 4).

Em 2002, a pesquisa realizada com os alunos de Enfermagem da Universidade Tuiuti do Paraná17 revelou que as necessidades de remuneração e experiência profissional configuraram-se como motivos para a busca de trabalho remunerado. Em outro estudo18, mencionaram que o trabalho atua como fator que influencia desfavoravelmente no rendimento acadêmico, representado pela falta de tempo para estudar, dificuldade de assimilar a matéria e falta de concentração em sala de aula. Ainda, acrescentam que a conciliação de estudo com trabalho acarreta queda na produtividade, susceptibilidade a doenças, frequência constante ao médico e abuso no uso de medicações.

Quanto a graduações anteriores, 4% dos discentes tinham curso superior e 2,8% não o completaram (Tabela 5). Entre aqueles que concluíram algum curso superior, 55,2% relacionavam-se à área da saúde, incluindo nutrição, psicologia e odontologia.

Esses resultados são inferiores aos dados obtidos no estudo realizado em 200411, em que 10% da amostra concluíram algum curso superior, a exemplo do curso de filosofia, mas relataram não ter experiência nessa área. Lembra-se que o homem constrói a sociedade e ocupa papéis a partir do conhecimento e do domínio da linguagem, o que pode explicar a procura por mais de um curso superior. Por outro lado, essa busca pode indicar a imaturidade dos acadêmicos cada vez mais jovens que ingressam nos cursos superiores para a tomada de decisões quanto à sua profissão, não sendo capazes de assumir responsabilidades de trabalho.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados desta investigação, embora não permitam generalizações, por se tratar de uma realidade específica, trouxeram informações úteis sobre o perfil sociodemográfico de discentes de Enfermagem de IES privadas de Belo Horizonte. Neste estudo, houve predomínio de jovens com idade de 20 a 24 anos, do sexo feminino, solteiros e de procedência escolar pública. Um considerável número desses acadêmicos exerce algum tipo de atividade remunerada, e quase metade dos que trabalham já atuam na área de Enfermagem.

É importante ressaltar que o conhecimento do perfil sociodemográfico dos discentes também se constituiu numa importante ferramenta a ser considerada durante o processo ensino-aprendizagem estabelecido ao longo da formação acadêmica.

Esclarece-se, por fim, que todo estudo tem seus limites, e, mesmo considerando as limitações deste, acredita-se que o seu produto se constitui em elementos para subsidiar discussões sobre a qualidade do processo educacional do ensino de Enfermagem junto a docentes, discentes, entidades de classes, coordenadores de cursos de Enfermagem e de serviços, uma vez que a sua construção não é solitária. Acredita-se que a promoção e a ampliação de espaços para reflexão e debate poderão, num futuro mais próximo, contribuir para a conciliação entre teoria e prática de Enfermagem, harmonizando os projetos individuais e coletivos, num exercício de plena cidadania.

 

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Notas

a Trabalho extraído da dissertação de mestrado "Representações sociais de discentes de Enfermagem sobre ser enfermeiro", apresentada à Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais - EEUFMG - Minas Gerais (MG), Brasil.

 

 

Recebido em 13/03/2008
Reapresentado em 11/12/2008
Aprovado em 11/09/2008

 

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