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Volume 3, Número 1, Jan/Abr - 1999

Em 13 de agosto de 1929, Zulema de Castro Amado, ao proferir Conferência na Associação Brasileira de Educação, afirma que "é preciso que a enfermeira tenha uma base de estudo prático e theorico, isto é, um curso de Enfermagem completo, num espaço de tempo nunca inferior a tres anos, em uma escola bem organizada e dirigida por enfermeiras diplomadas".

A idéia central do que precisa para ser enfermeira foi reescrita na História da Enfermagem Brasileira da década de 20 deste século. Ser enfermeira ou enfermeiro significa comprometer-se com uma Enfermagem científica, que optou por construir suas bases alicerçada nos caminhos do estudo, até início dos anos 70, e do estudo e da cientificidade, a partir de meados dos anos 70. Aos poucos, fomos descobrindo que uma cientificidade sem muita precisão também era importante para delimitarmos o nosso território no mundo das profissões e das ciências. A complexidade humana, suas contradições e seus conflitos, tudo parte de uma mesma totalidade de gente que lida com gente, portanto, pouco se enquadra na regra matemática e estatística das ciências precisas. Neste sentido, poderiamos pensar que viver e fazer Enfermagem se afina com o pensamento complexo de Edgar Morin e assenta o seu pensar e seu fazer nas ciências do impreciso, definidas por Abraham Moles.

É assim que vemos o volume 3, número 1, de abril de 1999 dessa Revista. Nela encontra-se reunida um conjunto de artigos que conduzirá o leitor a uma profunda reflexão sobre o viver e o fazer Enfermagem, dos anos 20 à década atual. Múltiplos desafios existiram para a jovem carreira de Enfermagem no Brasil de ontem, e ainda persistem nos tempos de hoje, nos dando a nítida impressão de que existirão sempre, pois desafios e complexidade parecem ser dois fios trançados na trama da vida de nossa Enfermagem.

Se, para enfrentar desafios e estabelecer-se como profissão no Brasil, a pesquisa histórica na Enfermagem tem descoberto que houve discriminação e exclusão de grupos, no ontem, no hoje, as evidências apontam para a inclusão de todos como uma estratégia natural de sobrevivência. De concreto, pessoas de diversas tendências, sexos, crenças e raças compõem a Enfermagem atual, formando grupos para investigar os problemas de saúde que afetam as pessoas, para reivindicar os direitos do cidadão, para aplicar métodos de pesquisa, construir novos caminhos e dar novos significados para o que é ser enfermeiro.

O êxtase da leitura atinge o seu ápice quando o leitor chega à Conferência de Professor Titular, proferida pela Dra. leda de Alencar Barreira, intitulada "Contribuição da História da Enfermagem Brasileira para o Desenvolvimento da Profissão". Nela será possível entender quais foram as bases em que se deram a luta pelo reconhecimento e pelo status da profissão, no jogo das infinitas forças antagônicas, temporais e dialéticas.

 

1. Doutora em Enfermagem. Prof Adjunta do Departamento de Enfermagem Materno Infantil. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Enfermagem em Saúde da Criança (NUPESC). Diretora da Escola de Enfermagem Anna Nery/UFRJ.
2. PhD in Nursing. Associate Professor of the Maternal/Child Health Department. Researcher of the Center for Nursing Research in Child Health (NUPESC). Dean of Anna Nery School of Nursing/UFRJ
3. Doctora en Enfermería. Profesora Asociada del Departamento de Enfermería Maternoinfantil. Investigadora del Núcleo de Investigación de Enfermería en Salud del Niño (NUPESC). Directora de la Escuela de Enfermería Anna Nery/UFRJ

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