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Volume 4, Número 2, Mai/Ago - 2000

EDITORIAL

 

A globalização, a busca da identidade e suas conseqüências

 

 

Jussara Sauthier

Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Fundamental da EEAN/UFRJ

 

 

A globalização é um fenômeno tão antigo quanto os estados nacionais e está atrelada às políticas definidas por eles. Em decorrência disso, novos espaços geográficos se definem numa demonstração de que "não existe geografia sem história".

O espaço geográfico é "um produto social decorrente da atividade produtiva e das idéias que se materializam na superfície terrestre". Esse movimento, conhecido como globalização, modifica as relações entre os estados e as economias nacionais. As repercussões dessas mudanças nos polos industriais, nas economias urbanas e no mercado de trabalho se configuram em profundas crises geradoras de temor e pânico.

Milhares de postos de trabalho desaparecem, dando lugar à terceirização das estruturas de emprego, influindo em toda a organização da sociedade, com resultados por vezes preocupantes para o grupo familiar.

A globalização, como um caminho sem volta, nos estimula a um diagnóstico do tempo presente. Não se concebe mais a dominação de um único centro sobre as periferias. Inúmeros centros competitivos se organizam e causam modificações no equilíbrio global do poder entre os estados-nação, fazendo surgir novos conjuntos de interdependências.

Não é fácil para as Nações, ditas de primeiro mundo, manter a superioridade de adotar "uma missão civilizatória" em relação ao resto do mundo, como o fizeram no passado.

O processo de globalização, desse modo, não é capaz de produzir a uniformidade. Contudo, ele nos torna conscientes de novos níveis de diversidade, onde se exercem as diferenças. O outro é o interlocutor.

Para não perder a identidade e como reação ao processo de globalização, vemos surgir um retorno às culturas locais. Criam-se espaços, que podem ser considerados como rituais comemorativos, que reforçam ou ajudam as pessoas a recuperar o sentido de um lugar perdido. Porém, nem todos percebem esses espaços da mesma maneira.

Estas reflexões podem nos ajudar na leitura dos textos apresentados neste número, onde os autores analisam fenômenos e mudanças ocorridas no espaço herdado do tempo passado e suas repercussões no presente. Os artigos foram elaborados por autores que acompanham com lucidez a sua prática profissional e, com um olhar crítico, o mundo globalizado submetido a uma política neoliberal, que produz uma grande massa de excluídos.

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