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Escola Anna Nery Revista de Enfermagem Escola Anna Nery Revista de Enfermagem
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Ministério da Educação
CAPES

Volume 7, Número 1, Jan/Abr - 2003

ARTIGOS DE PESQUISA

 

Significado dos uniformes de enfermeira nos primórdios da enfermagem moderna

 

Meaning of the nurses' uniforms in the beginning of modern nursing

 

Significado de los uniformes de la enfermera en los comienzos de la enfermería moderna

 

 

Maria Angélica de Almeida PeresI; Ieda de Alencar BarreiraII

IEnfermeira graduada pela EEAN/UFRJ. Bolsista de aperfeiçoamento do CNPq
IIProfessora Titular da EEAN/UFRJ, coordenadora do projeto integrado de pesquisa, apoiado pelo CNPq, intitulado "Tansformações da prática de enfermagem no Brasil no ocaso da saúde pública dos anos 30"

 

 


RESUMO

O objeto deste estudo é o papel e a evolução dos uniformes de alunas e de diplomadas nos primórdios da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN). O recorte temporal abrange desde o período da criação da Escola, no âmbito do Departamento Nacional de Saúde Pública (1923), até a sua entrada na Universidade do Brasil (1937). Seus objetivos são: 1) descrever os uniformes usados por alunas, professoras e graduadas em diferentes atividades profissionais e momentos institucionais; 2) analisar as funções utilitárias e simbólicas por eles desempenhadas; 3) discutir o significado das mudanças nos uniformes para a imagem da enfermeira na sociedade. Para os procedimentos metodológicos, utilizamos como fontes primárias, fotos e documentos do Centro de Documentação, além de bibliografia pertinente ao assunto, no banco de textos do Nuphebras, ambos situados na EEAN/UFRJ. Os resultados obtidos evidenciam a importância do uniforme para a identificação das diversas categorias de atores sociais, para a formação de uma identidade grupal e para a valorização de uma profissão pela sociedade. As modificações por eles sofridas se relacionam com as variações da moda feminina da época, ou foram determinadas por problemas de ordem prática, relacionados à aquisição dos artigos ou sua confecção.

Palavras-chave: História da enfermagem.Brasil.


ABSTRACT

The topic of this study is the function and the evolution of the students and nurses' uniforms in the beginning of Anna Nery Nursing School (EEAN). The period includes, since when the school was created, in the sphere of Public Health National Department (1923), until its passage to University of Brazil (1937). The porpouses are: 1) to describe the uniforms used by students, professors and graduated in different areas and institutional moments; 2) to analyse useful and simbolic functions represented by them; 3) to discuss the meaning of the changes in the uniforms for the image of nurses in the society. For the methodological procedures, we used as primary sources, pictures and documents from the Documentation Center, besides bibliography about this topic, in the text bank from Nuphebras, both placed in EEAN/UFRJ. The results obtained evidence the importance of the uniform for the identification of the several categories of social actors, for the formation of a group identity and for the valorization of a occupation for society. The modifications, are related with the variations of the feminine fashion of the period, or were determined by practical problems, related to acquisition of the articles or its making.

Keywords: History of nursing. Nurses. Brazil.


RESUMEN

El objeto de este estudio es la evolución de los uniformes de alumnas y de egresadas en los inicios de la Escuela de Enfermería Anna Nery (EEAN). El recorte temporal abarca desde el período de creación de la Escuela, en el ámbito del Departamento Nacional de Salud Pública (1923), hasta su entrada en la Universidad de Brasil (1937). Sus objetivos son: 1) describir los uniformes usados por alumnas, profesoras y egresadas, en diferentes actividades profesionales y momentos institucionales; 2) analizar las funciones utilitarias y simbólicas desempeñadas por ellos; 3) discutir el significado de los cambios en los uniformes para la imagen de la enfermera en la sociedad. Utilizamos fotos y documentos escritos del Centro de Documentación/EEAN, además de la bibliografía pertinente. Los resultados obtenidos evidencian la importancia del uniforme para la identificación de las diversas categorías de actores sociales, para la formación de una identidad grupal y para la valorización de la profesión por la sociedad.

Palabras-claves: Historia de la enfermería. Vestuario. Brasil.


 

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O objeto deste estudo é o papel e a evolução dos uniformes de alunas e de diplomadas nos primórdios da atual Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O recorte temporal abrange desde o período da criação da Escola, no âmbito do Departamento Nacional de Saúde Pública, nos moldes das escolas de enfermagem norte-americanas (1923), até a sua entrada na Universidade do Brasil (1937).

A criação da Escola de Enfermeiras do DNSP representou o momento de transformação do papel da enfermeira, conceituando sua profissão, moral e profissionalmente, na opinião pública (SAUTHIER, 1996. p. 104).

O interesse em elaborar este estudo surgiu das minhas atividades como membro do Núcleo de Pesquisa em História da Enfermagem Brasileira (Nuphebras), do Departamento de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem Anna Nery/UFRJ, quando, ao observar fotografias de vária épocas, percebi várias diferenças nos uniformes de alunas e professoras.

Para orientar o estudo, foram traçadas as seguintes questões norteadoras:

- Que condições determinaram as diferenças e modificações dos uniformes de alunas e diplomadas?

- Que qualidades da figura de mulher-enfermeira o uniforme procurava explicitar e quais procurava ocultar?

- Qual valor o simbólico do uniforme da enfermeira?

Para este estudo, foram formulados os seguintes objetivos:

- Descrever os uniformes usados por alunas, professoras e graduadas em diferentes atividades profissionais e momentos institucionais;

-Analisar as funções utilitárias e simbólicas por eles desempenhadas;

-Discutir o significado das mudanças nos uniformes para a imagem da enfermeira na sociedade.

Trata-se de um estudo, de natureza histórico-social, que oferece ainda valiosos subsídios para a leitura de fotografias históricas. As fontes primárias são documentos escritos e fotografias pertencentes ao acervo do Centro de Documentação da Escola de Enfermagem Anna Nery, bem como revistas e jornais da época. As fontes secundárias correspondem aos livros, teses e estudos que abordam temas como: imagem social e identidade da enfermeira, papel e evolução do vestuário e história da enfermagem.

Os documentos e fotografias foram selecionados dentro do recorte temporal, organizados em ordem cronológica e classificados por tipo de uniforme. Após a análise das modificações ocorridas no tempo, foram interpretados os achados com base nos conteúdos teóricos estudados.

 

O VALOR SIMBÓLICO DO VESTUÁRIO E DOS UNIFORMES

A roupa revela atributos e características da pessoa que a está usando, assim como o tempo em que ela está inserida. As roupas têm uma linguagem própria e comunicam sobre o sexo, a idade e a classe social de quem as veste, podendo ainda dar informações importantes em relação ao trabalho, origem, personalidade, gostos e humor da pessoa naquele momento (LURIE, 1997 p.19).

A moda, ou seja, as mudanças periódicas que ocorrem nos estilos de vestuários está associada às variações das tendências políticas, sociais e culturais representando, em certa medida, as formas de pensar dos grupos e dos indivíduos, bem como os costumes de cada época (LURIE, 1997. p.74).

A roupa usada por homens e mulheres segue as tendências da moda, o que muitas vezes veio atender certas necessidades sociais, como descreve Lurie (1997, p.87):

"Durante os anos da primeira guerra, a moda permaneceu conservadora, embora as saias, lentamente, se erguessem do nível do chão para logo acima dos tornozelos, facilitando a vida de muitas mulheres que trabalhavam fora de casa ou atuavam como enfermeiras ou membros dos corpos de assistência"

Assim também, o período que se seguiu ao fim da Primeira Guerra, marcando o início da década de 20, trouxe modificações no comportamento feminino, que influenciaram a moda. Ao mesmo tempo em que lutavam por seus direitos e se libertavam de antigos tabus em relação ao trabalho, as mulheres se depararam com uma notável variação no seu vestuário: a cintura desceu para os quadris e as saias subiram rapidamente. Em 1925, para escândalo de muitos, veio a verdadeira revolução das saias curtas, que cobriam apenas os joelhos, porém, no final da década as saias voltaram a ser compridas e a barra dos vestidos para o dia ficavam 25cm acima do chão, enquanto os de noite chegavam até os pés (LAVER, 1989 p.230, 242-243).

O uniforme é um tipo específico de vestimenta para determinada categoria de indivíduos e identifica-os como pertencentes a um grupo ou a uma instituição. Caracterizando a figura de quem o está usando, o uniforme funciona como objeto disciplinador, uma vez que padroniza as atitudes e comportamentos de quem o veste, seja ele uniforme militar, religioso, escolar ou, como no caso em estudo, profissional.

Vestir um uniforme, determinado por autoridades externas, significa estar apropriadamente vestido para pertencer a um determinado grupo, significa envolvimento com ele e conformação com seus padrões sociais. Não se identifica um indivíduo uniformizado pelo seu nome, e sim pela instituição à qual representa. O uniforme tem valor simbólico e significado moral, colocando quem o veste sob censura, uma vez que as conseqüências de suas atitudes, para bem ou mal, recairão sobre o grupo a que pertence, e tornando-se, portanto, objeto inclusive de sanções disciplinadoras. Desvantagens físicas e psicológicas podem ser ocultadas pelo uniforme, concedendo a quem o usa dignidade e confiança. Vestir um uniforme pode facilitar a transição de um papel para outro.

Os uniformes femininos se revestem de características especiais, primeiro porque o vestuário feminino é mais variado, em peças e em acessórios, do que o masculino, e depois porque sua relação com a moda é mais estreita do que os uniformes masculinos (LURIE, 1997. p.33-34).

O uniforme usado por alunas e diplomadas servia para distinguí-las entre si, dos demais exercentes de enfermagem e para diferençar sua posição hierárquica.

A moda permite que se interprete as pessoas pelo traje que usam; sendo assim uma pessoa mal vestida, provavelmente, será vista com desconfiança pela sociedade. Dessa forma, o uniforme das enfermeiras deveria evidenciar suas qualidades, construindo assim sua imagem social.

Na Escola Anna Nery, a posição hierárquica de alunas e de professoras era imediatamente visualizada no seu uniforme. Existiam uniformes de alunas e de enfermeiras, tanto para o uso hospitalar como para o trabalho de saúde pública. Os uniformes regulamentares da escola de enfermagem, determinados pela direção da escola, sempre foram de uso privativo de suas alunas e enfermeiras.

As alterações dos uniformes das alunas, de acordo com as etapas de aprendizagem e das responsabilidades por elas assumidas, indicavam sua trajetória no curso, até que chegassem, enfim, à diplomação, quando adquiriam o direito de usar o uniforme de enfermeira.

 

OS UNIFORMES DAS ALUNAS DA ESCOLA ANNA NERY

As alunas de enfermagem, logo ao entrar para a escola, tinham que adotar certas posturas e atitudes que provocavam, (e ao mesmo tempo manifestavam) mudanças radicais em sua personalidade (SAUTHIER, 1996. p.176). No que se refere ao processo de socialização das alunas, lhes "(...) foram inculcados de forma intencional, rígidos valores morais, pautados pelos princípios da hierarquia e da disciplina, visando operar uma mudança radical no habitus das candidatas à nova profissão." (SANTOS, 1997 p.60)

Na formação desse novo habitus, a valorização do uniforme de enfermeira tinha papel decisivo, aliás, sempre ressaltado, como nas aulas de ética da diretora Laís Netto dos Reis:

"A enfermeira carece, no exercício de sua profissão de um sinal externo que a diferencie das demais pessoas. Em razão da natureza do seu serviço, ela deve fazer sentir sua presença de forma concreta e igual. Só deste modo os que precisarem de sua assistência a identificarão, sem demora em qualquer lugar" (REYS, 1937 p. 1)1

Interferiam na escolha do modelo dos uniformes, além das variações da moda feminina, algumas considerações práticas como: conforto térmico, liberdade de movimentos para realizar as tarefas de enfermagem, durabilidade, custo financeiro, facilidade de limpeza, e, principalmente, caracterizar a aluna de enfermagem para o reconhecimento de sua imagem em qualquer lugar onde ela estivesse. A apresentação tinha que ser impecável, a fim de que pudesse constituir realmente um sinal exterior de distinção.

Desde o início de sua formação profissional, as alunas eram levadas a respeitar o uniforme de enfermeira, considerado motivo de orgulho pessoal e institucional. Ao ministrar aulas de ética de enfermagem, Lays Netto dos Reys discorria sobre os uniformes:

"A escolha desse sinal exterior, que identifica a enfermeira, obedeceu a um princípio superior que rege toda a vida da enfermeira e da sua formação profissional. Para usá-lo faz-se mister saber respeitá-lo. É dever de quem o usa compreender-lhe a significação e trabalhar cada dia mais por honrá-lo cada dia melhor."2

Uniforme da fase preliminar (figura 1)

 

Em 1923, data em que ingressa a primeira turma na Escola de Enfermeiras do DNSP, e conseqüentemente entra em uso o primeiro uniforme, os jornais femininos assim ditavam as regras da moda:

"É com bastante prazer que vemos formar-se a moda dos vestidos largos. Os corpos muito estreitos até a altura das cadeiras alargam-se em saias franzidas, caindo em pregas fartas (...) Os chapéus variam: há capelines de largas abas transparentes, que abrigam o rosto do mormaço, e há os chapéus de feltro (chamados manduquinhas) que parecem o uniforme da carioca e têm as formas mais variadas" (Jornal FON-FON 7 set, 1923).

O chapéu era mesmo um acessório fundamental para as moças e senhoras dos anos 20 e 30: "(...) os chapéus usam-se grandes ou pequenos - todos os tamanhos são aceitáveis. O material é que tem preferências. Emprega-se o feltro, o lamé, as palhas, os crepes, etc." (Jornal FON-FON, 28 set,1923).

Ao ingressarem na escola, as alunas novatas usavam um vestido de mangas curtas com punhos e colarinho brancos, abotoado até a cintura, botões pretos, cinto preto de couro, laço preto à frente da gola, meias e sapatos brancos. Primeiro, o tecido era de finas listras azuis e brancas, passando, em 1926, para o azul índigo, depois para o cinza e mais tarde voltando à cor azul (COELHO, 1997. p.139-140).

Esse vestuário incluía, de acordo com as exigências sociais, uma boina de feltro azul marinho, mais tarde substituída por chapéu de feltro preto, que as alunas usavam quando viajavam no ônibus da escola, a caminho do internato ou do Pavilhão de Aulas ou quando participavam de cerimônias.

Após a fase preliminar, onde eram ensinadas as matérias básicas, as alunas faziam exames para ingressar no primeiro ano do curso, quando se iniciava o estágio hospitalar. Após a fase preliminar, onde eram ensinadas as matérias básicas, as alunas faziam exames para ingressar no primeiro ano do curso, quando se iniciava o estágio hospitalar.

A recepção de insígnias e o uniforme hospitalar (figuras 2 e 3)


Figura 2 - Clique para ampliar

 


Figura 3 - Clique para ampliar

 

A recepção das insígnias simbolizava a incorporação, ao término do estágio probatório (período preliminar), ao corpo discente da Escola de Enfermeiras e acontecia de quatro a seis meses após o início do curso, de acordo com a época. As insígnias: touca, broche e braçadeira, parte essencial do uniforme, eram importantes sinais indicativos da posição da aluna que o estava usando, no corpo discente da escola.

Em sua simbologia, as insígnias ajudavam a caracterizar a figura da futura enfermeira: a touca era considerada a marca de distinção e de honra das enfermeiras; a cruz de malta vermelha desenhada no broche e na braçadeira, mostrava seu amor aos homens e sua mística de servir ao próximo(REYS, 1938).3

A touca, objeto máximo de caracterização da figura da enfermeira, fez parte do uniforme da escola desde a primeira turma e possuía grande valor simbólico, sendo recebida em cerimônia festiva, após a aprovação das alunas nas provas e exames preliminares (quatro meses de estágio probatório), indicando que estavam prontas a iniciar o trabalho de assistência hospitalar (COELHO, 1997 p.147). "O significado da touca era o domínio de si mesma e de devoção à causa da enfermagem" (SAUTHIER, 1996 p.177).

Na cerimônia de entrega das toucas à primeira turma de alunas, em 1923, a diretora da escola, a americana Clara Louise Kieninger (diretora da EEAN de 1923 a 1925), fala em seu discurso:

"Hoje recebeis a touca tanto desejada - marca de distinção e de honra. É a insígnia privilegiada do serviço. Vosso uniforme mostra ao mundo que pertenceis ao grupo restrito de indivíduos que acodem aos irmãos em perigo de vida."4

As alunas sabiam que, a partir do momento em que a touca, o broche, o avental branco e a braçadeira, passavam a fazer parte de seu uniforme, usados pela primeira vez no dia de entrega das insígnias, e durante o novo período de aprendizado, lhes seriam cobradas atitudes dignas e competentes de suas instrutoras.

O dia de recebimento das toucas era ansiosamente aguardado pelas alunas. A cerimônia representava o momento de transição da fase preliminar do curso para a profissionalizante. Era um momento de comemoração e de compromisso: as alunas prestavam juramento e tinham uma madrinha, de uma turma mais adiantada, que as levava até à diretora para que lhes fosse colocada a touca sobre os cabelos presos em rede (COELHO, 1997. p.147).

No período estudado, existiram dois modelos de touca para alunas: o primeiro foi usado desde a turma pioneira até a turma de 1931 (ver foto 3), retornando depois em 1941 para permanecer por mais algumas décadas; outro modelo de touca foi usado de 1932 até 1940, e se diferenciava do anterior por não ter formato de bico e sim uma aba arredondada e era presa à cabeça por dois botões brancos de madrepérola (ver fotos 2).

As alunas tinham por obrigação manter seu uniforme lavado e passado a ferro, pois o asseio demonstrava que se gasta tempo e dinheiro em cuidar-se, sendo um sinal de "status" e respeitabilidade (LURIE, 1997. p.29 ). O uniforme era objeto a ser honrado, havendo até uma certa competição entre as alunas que se dedicavam a passá-lo e a engomá-lo "até conseguir invejável brilho" (COELHO, 1997. p.146).

Estar corretamente uniformizada significava não só estar usando a roupa determinada pela escola de enfermeiras, mas estar também com os cabelos penteados e presos em rede, sem maquiagem, com unhas curtas, limpas e sem esmalte, sem jóias ou adornos, usando apenas um relógio de ponteiros de segundos, peça que acompanhava o uniforme (COELHO, 1997. p.143), uma vez que "o vocabulário das roupas não inclui apenas peças de roupas, mas também estilos de cabelos, acessórios, jóias, maquiagem e decoração do corpo" (LURIE, 1997. p.20).

O uniforme passava a ser complementado ainda pelo avental branco que, durante o estágio, seria usado por cima do vestido do uniforme, e pela touca branca (COELHO, 1997. p.147).

O uso do avental branco correspondia a uma função simbólica de subalternidade, mas também cumpria a importante função de proteção e defesa, em relação à contaminação, quando em contato com os doentes.

O avental era usado apenas no hospital, sendo proibido, a bem da higiene, o seu uso fora do local de serviço, nem mesmo no Pavilhão de Aulas (PULLEN, 1929)5. Tanto neste pavilhão como no hospital, havia vestiários para guardar os aventais. Todos os dias os aventais eram trocados e postos para lavar (COELHO, 1997. p.142).

Durante a época estudada, observou-se que a saia dos uniformes, inicialmente a 25cm de distância do chão, medidos com os sapatos, a partir de 1939, subiu 5cm.

Segundo o Regulamento Interno da Escola6, as alunas que completavam o curso ou se desligavam da escola tinham que devolver seus respectivos uniformes, correndo o risco de serem punidas quando encontradas usando-o em atitudes não consideradas respeitosas. "(...) nunca usá-lo em lugares impróprios, para não trazer o desrespeito quando em serviço" (PULLEN, 1932)7.

No início da década de 30, a silhueta feminina era dada por vestidos justos e retos, sendo às vezes mais largos nos ombros que nos quadris (LAVER, 1989. p.245). Em 1931, o uniforme das alunas sofreu modificações no modelo da saia, que passou a ser unida à blusa por pespontos e abotoada do lado esquerdo por colchetes de pressão, sendo mantida a altura de 30cm do chão, e cinto do mesmo tecido, na altura do osso ilíaco.8

Suas medidas eram rigorosamente estipuladas, com o propósito de manter a uniformidade e de não destacar as formas do corpo da mulher-enfermeira, tendo sempre que ser, a saia do vestido, larga nos quadris como se vê nas Regras para Uniforme das Alunas de 1931: "Saia: 1,40 de circunferência nas cadeiras das magras e 40cm a mais nas cadeiras das gordas"9

Nos dias frios, para atuar no hospital, as alunas deveriam usar blusa de lã ou flanela por baixo do vestido do uniforme, sendo proibido o uso de agasalhos sobre o uniforme (PULLEN, 1929)10. Fora do hospital, as alunas usavam capa azul escura de tecido de lã (pelerine), forrada de vermelho.

Uniforme de saúde pública das formandas

Antes de ser inaugurada, a escola de enfermeiras do DNSP ofereceu cursos de emergência para visitadoras de higiene, sendo que as alunas de algumas classes de visitadoras tiveram os quatro meses iniciais do curso junto com as alunas do curso de enfermeiras (FALLANTE e BARREIRA, 1997. p.5). Durante essa fase preliminar de aprendizagem, o uniforme era comum a ambos os grupos.

Ao findar essa fase, as alunas da classe de visitadoras, que iriam para o estágio prático, recebiam uma braçadeira e passavam a usar o uniforme de visitadora (figura 4): vestido azul escuro, com blusa abotoada na frente por quatro botões pretos, mangas compridas, com punhos e colarinho brancos de linho ou cretone engomados, saia unida à blusa pela costura da cintura e com dois bolsos na frente, colocados 10 cm abaixo do cinto, que era de tecido e preso ao vestido; gravata de seda preta lisa, com nó, sapatos de saltos baixos pretos ou brancos, meias de algodão da mesma cor que os sapatos. Vale notar que, nos anos 20, as mulheres que buscavam se firmar no mundo do trabalho, foram encorajadas a se vestir como homens; assim a roupa feminina freqüentemente tinha colarinho ou gravata de estilo masculino (LURIE, 1997. p. 89 e 236).


Figura 4 - Clique para ampliar

 

A braçadeira, usada inicialmente pelas visitadoras, o era também pelas alunas no estágio de saúde pública e pelas enfermeiras de saúde pública, na altura do braço, sobre a manga esquerda do vestido, no lado que representa o amor, devido à localização do coração, e tinha bordada em vermelho a cruz de malta, cujo significado estava associado à missão da enfermeira, como dizia Lays Netto dos Reys, ao ministrar aulas de ética: " a cruz rememora a maior prova de amor dada aos homens, o sacrifício mais completo pelos outros, esquecimento mais total de si mesmo"11

As visitadoras recebiam a braçadeira no mesmo dia em que as alunas do curso de enfermeiras recebiam suas toucas. Porém, enquanto que para as primeiras, esse dia representava o início de suas atividades profissionais, para as demais, aí iniciava-se o início de uma nova etapa do curso. Podemos ver no discurso de uma aluna senior, durante a recepção de toucas das alunas juniores e recepção de braçadeira do segundo grupo de visitadoras, o conteúdo da imagem simbólica, tão rico de interpretações quanto ao significado das insígnias para a formação da identidade da enfermeira.

"Em nome de nossas companheiras da classe senior, uso de minha palavra incolor e inexpressiva para traduzir, de um modo embora falho e imperfeito, o jubilo intenso que nos invade e alivia neste dia, duplamente feliz, em que vós as visitadoras recebestes o justo prêmio de vossos esforços, a braceira honrosa que, d'ora avante ornará vossos braços, insígnia de uma missão sublime que sabereis, estou certa, desempenhar com toda proficiência e toda a bondade de que vossas almas e vossas inteligências estão cheias, espalhando o bem e afugentando o mal dos lares pobres e contaminados. (...) da mesma forma convido as alunas júniores para receber a touca, símbolo dessa profissão sacrossanta, nobre entre as mais nobres.12

Ao terminar o curso de visitadoras, as alunas que tivessem tido um bom aproveitamento poderiam ingressar na escola de enfermeiras, caso desejassem concluir o treinamento13, como as exortava a superintendente de enfermagem do DNSP:

"Tenho muito prazer em dar-lhes as boas-vindas, porém terei muito maior satisfação quando vir colocar as toucas nas cabeças de todas as visitadoras de higiene, sendo esse o marco do próximo passo que deverão dar em prol do progresso de um serviço eficiente de enfermeiras de saúde pública"14

De modo a garantir sua boa aparência, as alunas eram orientadas a comprar seus uniformes em uma determinada loja, onde se dizia encontrar material de melhor qualidade e a menor custo. No entanto, parece mesmo que seria menos dispendioso usar os serviços de uma costureira, do contrário não faria sentido o aviso às alunas no qual se lê: "a menos que as visitadoras possam fazê-los exatamente de acordo com o modelo, elas serão obrigadas a fazer todos os seus uniformes nessa casa"15

Esses uniformes eram de vichy16 azul escuro, e confeccionadas segundo a técnica dos "toiles", ou seja, moldes cortados em linho, que traziam instruções completas para sua execução, o que reduzia o preço do modelo importado, em até 50% (LAVER, 1989.p.245). Dessa forma, com a utilização dos "toiles", ficava mais fácil manter o padrão de qualidade e uniformidade da roupa confeccionada, com menos gasto.

A partir de 1931, o uniforme das alunas de saúde pública passou a ser confeccionado em tecido de linho na cor cinza, constituindo-se de vestido e paletó de mangas compridas, com punhos e colarinho brancos, botões de madrepérola cinza, cinto sobre o paletó, braçadeira do mesmo tecido do vestido, chapéu preto de palhinha e meias e sapatos também pretos (figura 5). Aliás, na década de 30, as roupas femininas passaram a ser confeccionadas com tecidos mais espessos e cores mais escuras. A roupa cinza pode indicar um indivíduo discreto e reservado (LURIE, 1997. p.206).

 

Em 1937, no uniforme de saúde pública, as meias passaram a ser de cor cinza escura, com sapatos pretos e chapéu de palhinha azul marinho.

 

AS DISTINÇÕES HIERÁRQUICAS DOS UNIFORMES DAS DIPLOMADAS

Em uma época em que a mulher não tinha quase nenhuma expressão profissional na sociedade, a figura da enfermeira trazia uma nova representação da mulher:

"As enfermeiras diplomadas passaram a ser reconhecidas como "enfermeiras ananéri" passando o nome dessa escola brasileira a adjetivar a profissão, como indicativo de qualidade" (BARREIRA, 1993. p.7).

O uniforme das enfermeiras diplomadas, uma vez que representava a mística da enfermagem, como o serviço universal, o sentido do dever, a hierarquia e a disciplina, a abnegação e a modéstia, carregava maior valor simbólico do que o das alunas, caracterizando-se como elemento essencial para a construção, ao mesmo tempo, dessa nova imagem e também da identidade profissional.

"Eis porque só a enfermeira diplomada tem direito de usar o uniforme de enfermeira. Antes do diploma ela é aluna e o seu uniforme é apenas de aluna, bem diferente do da diplomada" (REYS, 1937) 17.

Enfermeiras de saúde pública

O trabalho de visitação domiciliar feito pela enfermeira de saúde pública durante a década de 20 era reconhecido e valorizado pelas autoridades sanitárias, que visavam manter o controle epidemiológico e social da população através da vigilância e da doutrinação, o que conferia prestígio ao seu uniforme que era privativo da categoria (FALLANTE, 1997 p.21 e BARREIRA, 1992 p.58).

O uniforme das enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública era também de linho na cor cinza, constituindo-se de paletó de mangas compridas, abotoado na frente, com punhos e colarinho de fustão branco, botões de madrepérola cinza, cinto preso ao paletó por dois botões de cada lado, braçadeira branca com a cruz de malta bordada em vermelho no centro e vestido composto com decote reto e saia a 30cm do chão; os sapatos poderiam ser pretos ou brancos com as meias da mesma cor (figura 6). Na rua, as enfermeiras de saúde pública, mesmo no serviço de visitação domiciliar, completavam seu uniforme com chapéu de palhinha preto adornado com fita lisa preta, e com maleta de couro preta contendo o material necessário para suas atividades: 1) estojo metálico para ferver seringa de vidro e agulhas; 2) gaze, algodão, ataduras, esparadrapo e tesoura; 3) sabonete, papel jornal, papel manilha e saco feito com papel de revista para material sujo; 4) termômetro; 5) medicamentos, álcool e pinça anatômica; 6) fichas de inscrição, de acordo com a clínica (COELHO, 1997 p.144-145).

 

Recomendava-se o uso de galochas e guarda-chuvas para o serviço de rua, nos dias chuvosos; e para os dias frios, havia um capote simples, azul marinho (ver foto 07).

 

Em 1937, no uniforme de saúde pública, as meias passaram a ser de cor cinza escura, com sapatos pretos e chapéu de palhinha azul marinho.

Enfermeiras hospitalares (figura 7)

O uniforme hospitalar das diplomadas, na cor branca tradicional, quase não sofreu modificações no período estudado. Seu vestido, e principalmente a touca, imediatamente a diferençava dos demais profissionais de saúde. O branco, além de representar a limpeza, carrega o simbolismo espiritual, sendo considerado "a cor da luz, da pureza e da perfeição" (HERDER, 1990 p. 38).

O vestido era de mangas compridas e fechado por botões de madrepérola. No início da escola, o abotoamento do vestido era central (figura 3). Em 1929, foi estabelecido o modelo em tricoline branca, com abotoamento lateral à esquerda, botões de madrepérola branca, mangas compridas, saia a 30 cm do chão, sapatos e meias brancos (figura 7).

O uniforme de verão tinha gola de 10 cm de largura, descendo em decote até um pouco abaixo do pescoço, enquanto que o de inverno tinha gola alta, cobrindo todo o pescoço (COELHO, 1997 p.143). Ao contrário das alunas, as diplomadas, mesmo ao prestar cuidados, não usavam o avental.

A capa de inverno era do comprimento da saia, sua cor escura pretendia fazer notar a reserva e a discrição, ornamentos indispensáveis à estrutura moral da enfermeira. No entanto, seu forro era azul, no tom elétrico índigo. A capa escura, longa e ampla, representava a capacidade plena da enfermeira de servir à humanidade (REYS, 1937 p. 1).

Enfim, a diferenciação primária entre alunas e diplomadas era imediata: pelo uso do avental, pela cor do vestido, do forro da capa de frio e da braçadeira, pela ausência ou presença de friso na touca, bem como pelo comprimento das mangas do vestido e da capa de frio.

Toucas lisas indicavam as alunas e toucas com friso preto, as diplomadas. Eram substituídas no dia da diplomação, e o formato da touca das diplomadas nunca sofreu alterações, sempre foi de bico.

A braçadeira era de uso exclusivo das visitadoras e enfermeiras de saúde pública, sendo que a braçadeira das visitadoras e alunas era confeccionada no mesmo tecido que o vestido do uniforme, enquanto que a das enfermeiras era confeccionada em tecido branco.

A capa funcionava como mais um objeto de diferenciação entre alunas e diplomadas: a da aluna ficava à altura dos quadris enquanto que a da diplomada acompanhava o comprimento do vestido, simbolizando que a capacidade das alunas de assistir os enfermos ainda não estava completa (REYS, 1937 p.11-12).18

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Era enorme o significado simbólico dos uniformes na Escola Anna Nery, diretamente relacionados à imagem da enfermeira e à sua identidade profissional. Esses uniformes diferenciavam-se de acordo com o campo de atuação e a ocasião em que se encontrava a enfermeira.

No período estudado (1923-1937), os uniformes de enfermeiras e alunas sofreram várias modificações de cor, modelo, comprimento e acessórios.

Na década de 30, as transformações ocorridas na política sanitária determinam que o uniforme que caracteriza a imagem da enfermeira na sociedade deixe progressivamente de ser o de saúde pública, conhecido principalmente pela população das classes pobres do Rio de Janeiro, para dar lugar ao uniforme branco hospitalar devido ao que veio a se denominar o "ocaso da saúde pública", motivo pelo qual muitas enfermeiras passaram a trabalhar em serviço particular ou em hospitais (OLIVEIRA e BARREIRA, 1997.p. 11-12).

Desde a sua criação, a Escola Anna Nery determinou seu padrão de qualidade, de maneira que a assistência prestada por suas alunas e diplomadas, bem como seu comportamento, foram sempre admirados e reconhecidos no meio profissional e na sociedade em geral. O uniforme caracterizava exatamente essa conduta exemplar, simbolizando virtudes espirituais, morais e profissionais como: humildade, competência, abnegação e altruísmo.

Os uniformes utilizados por alunas e enfermeiras foram de grande importância para a diferenciação das diversas categorias de exercentes, para a formação de uma identidade grupal e para a valorização da profissão na sociedade. As modificações por eles sofridas se relacionam com as variações da moda feminina da época, ou foram determinadas por problemas de ordem prática, relacionados à aquisição dos artigos ou sua confecção.

A função simbólica do uniforme, desde o tempo de alunas, marcava as várias etapas do curso: as novatas trocavam seus uniformes de preliminar pelo de aluna juniores; e na última etapa do curso, trocavam o uniforme hospitalar pelo de saúde pública. As professoras e as enfermeiras eram identificadas e diferenciadas pelo seu uniforme, geralmente usavam uniforme hospitalar com touca de friso, e as enfermeiras do DNSP usavam seus uniformes privativos com braçadeira branca.

As enfermeiras, à medida em que foram conquistando espaço profissional e construindo uma nova visão da enfermagem, passaram a questionar o significado de seus uniformes, que sofreram transformações significativas até se tornarem únicos para alunas, professoras e enfermeiras. O uso da touca, principal objeto de caracterização e veneração da enfermeira, tornou-se polêmico até começar a cair em desuso, a partir da década de 60, quando as enfermeiras passaram ser mais uma pessoa de branco dentro do ambiente hospitalar junto com os demais profissionais da equipe de saúde.

 

REFERÊNCIAS

BARREIRA, Ieda de Alencar. A enfermeira Ananéri no país do futuro: a aventura da luta contra a tuberculose. 1992. 335f. Tese (Doutorado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1992.

BARREIRA, Ieda de Alencar. A prática de enfermagem no Brasil: a enfermeira de saúde pública dos anos 20. Projeto integrado de pesquisa EEAN/UFRJ, 1997.

COELHO, Cecília Pêssego. A Escola de Enfermagem Anna Nery: sua história - nossas memórias. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1997.

FALLANTE, Barbara de Souza C., BARREIRA, Ieda de Alencar. O significado da visita domiciliar das enfermeiras de saúde pública para as famílias do Rio de Janeiro nas décadas de 20 e 30. PESQUISANDO EM ENFERMAGEM. 5; 1998. Rio de Janeiro, maio de 1998. EEAN/UFRJ.

LAVER, James. A roupa e a moda: uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

LEXIKON, Herder. Dicionário de símbolos. São Paulo: Cultrix, 1990.

LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino na sociedade. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

LURIE, Alison. A linguagem das roupas. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

OLIVEIRA, Claudia M. R.; CUNHA, Adriana L.; BARREIRA, Ieda de Alencar. Absorção das visitadoras sanitárias pela Escola de Enfermagem na Reforma Carlos Chagas - Rio de Janeiro (1923-1926). PESQUISANDO EM ENFERMAGEM, 4., 1997, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: EEAN/UFRJ, 1997.

PERES, Maria Angélica A; CUNHA, Adriana L.; BARREIRA, Ieda de Alencar. A imagem da enfermeira moderna nas décadas de 20 e 30. PESQUISANDO EM ENFERMAGEM, 5., 1998, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: EEAN/UFRJ, 1998.

SANTOS, Tânia Cristina Franco. A câmera discreta e o olhar indiscreto: a persistência da liderança americana no ensino da enfermagem no Brasil (1928-1938). 1998. 229f. Tese (Doutorado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1998.

SAUTHIER, Jussara. A missão das enfermeiras Norte-Americanas na capital da República (1921-1931). 1996.258f. Tese (Doutorado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 1996.

 

NOTAS

1Conteúdo da aula de ética da enfermagem, ministrada por Lays Netto dos Reys (diretora da EEAN de 1938 a .1950) Fonte: CD/EEAN.Mod.A cx. 86. Doc. 126. 1937.

2" Regras para uniforme de alunas." Fonte: CD - EEAN/UFRJ. Cx.86.Doc.126. 1937

3Fonte: CD-EEAN/UFRJ. Cx 86. Doc. 126. 1938.

4Fonte: CD/EEAN: Cx.2, doc.20, 1923.

5Fonte: CD/EEAN: Cx.17, doc.7 - 1929.

6Fonte: CD - EEAN/UFRJ. Mod.Cx.61/Doc.03 - 1937.

7Discurso de Miss Berta Pullen, diretora da EEAN de 1928 a 1931 e de 1934 a 1938. Fonte: CD/EEAN. Mod. A, cx.04, doc.27 - 1932.

8Regras para uniforme de alunas. Fonte: CD/EEAN: ModA, cx.33, doc.208, 1931.

9Fonte: CD: cx33, doc208, 1931

10Fonte: CD/EEAN. Cx.17. doc.7 - 1929.

11Fonte: CD/EEAN.Cx.86, doc.126 - 1937.

12Fonte: CD - EEAN/UFRJ. Cx 04 doc 24. 1924

13O curso de visitadoras foi extinto em 1924 (antes da formatura da 1a turma da escola de enfermeiras), mas seu uniforme continuou a ser usado no estágio de saúde pública, pelas alunas do curso de enfermeiras até 1931. A enfermeira de saúde pública tinha uma formação com duração de dois anos e meio. Em 1926, quando todas as visitadoras haviam sido substituídas pelas enfermeiras diplomadas, o quadro de visitadoras do DNSP foi extinto. (FALLANTE e BARREIRA, 1997. p.5).

14(Fonte: CD-EEAN/UFRJ. Cx.04 doc.27. Discurso de Mrs. Parsons (Superintendente do Serviço de Enfermeiras do DNSP de 1921 a 1931 )na recepção de insígnias em 1924)

15Fonte: CD/EEAN. Cx 03, doc.29 - 1923

16Até o momento não encontramos a descrição deste tecido.

17CD-Mod.A, CX-86/doc126. - 1937

18Fonte: CD/EEAN. Cx.86, doc.126 - 1937

 

 

Recebido em 04/02/2002
Reapresentado em 28/10/2002
Aprovado em 07/03/2003

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