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CAPES

Volume 7, Número 1, Jan/Abr - 2003

ANNAES DE ENFERMAGEM

 

Principios fundamentais da enfermeira de S. Publica

 

 

Celia Peixoto Alves; Dr. Evandro Chagas

 

 

Na organisação de qualquer ramo da atividade encontramos certos principios que são aceitos como fundamentais, visto, em todo o tempo e em qualquer parte serem reconhecidos como de vital importancia. Assim na organisação da enfermagem de S. Publica, encontrámos um bom numero deles, alguns dos quais, datam do tempo de William Rathbone e Florence Nightingale, quando fundaram a 1.ª associação do Enfermagem de S. Publica em Liverpool.

Com o natural desenvolvimento da profissão esses principios foram distribuido em numero de nove.

1.º Principio fundamental - Toda enfermeira de S. Publica deve ser diplomada, ter um curso teorico a pratico num hospital geral de assistencia onde ela possa ter uma pratica completa de todos os ramos do serviço. Desde remota época, em que se iniciou o serviço a domicilio, foi notada a eficiencia da enfermeira preparada, muito embora esse preparo fosse adquirido no lar.

Muita gente, mesmo entre medicos, pensa que para ser enfermeira basta ter uma agradavel presença, saber dar uma injeção e arrumar uma cama. Muitas e muitas vezes, mesmo aqueles que trabalham com a Escola Ana Neri, teem feito perguntas sobre a razão de um curso tão longo e complicado...

Não compreendem porque uma enfermeira precisa estudar tanta cousa, inclusive psicologia, química, etc.

Está cada vez mais provado que o progresso e desenvolvimento da nossa profissão dependem do trabalho eficiente da enfermeira. Como haver trabalho completo e eficiente nem a necessaria educação teorica e pratica ?

Ao lermos sobre a historia de enferma-

e se estende ao extremo sul do Rio Grande do Sul.

A nosologia brasileira é, em grande parte, condicionada pela divisão climatica do territorio (H. Maciel). Na zona tropical, incidem, principalmente, a mataria, a ancilostomiase, a leischmaniose, a bouba, a febre amarela a filariose, a ulcera tropical, a lepra. etc. No centro são encontradas as mesmas especies morbidas do norte, aí, porém, de modo menos acentuado, e com localisações regionais. Nos estados do sul é vista a maior frequencia de doenças microbianas pois que sendo o clima mais ameno, mais frequentes são as moléstias proprias das regiões frias.

jem. dos Hindús, encontramos já na era antes de Cristo a idéa sobro o preparo da enfermeira visitadora:

" - Deve ser inteligente, devotada ao doente, pura de alma e de corpo, necessitando saber como preparar um medicamento."

Num campo tão vasto como o de Saude Publica, necessitamos da enfermeira bem preparada, visto estar em um serviço generalisado e portanto em contato com todas as doenças, meios diversos, variados problemas.

A Enfermeira de Saude Publica é responsavel pela saúde do povo do seu distrito. Ela não só penetra nas cabanas dos morros no meio mais ignorante, como tam bem val onde o letrado e o de posição elevada dela necessitam.

A época presente é tender sempre para o mais eficiente; ergamos pois o padrão da nossa profissão, preparando as nossas enfermeiras de S. Publica.

2.º Principio:

Este principio afirma a função educadora da enfermeira. As responsabilidades da enfermeira da S. P. foram formuladas e colocadas sob 3 capítulos:

1.º - prestar cuidado ao doente - enfermajem.

2.º - prevenir a doença - profilaxia.

3.º - promover a saude - hiigene.

Essa divisão não quer dizer que os dois ultimos sejam coisas novas.

A importancia dos ensinamentos de higiene a domicilio foi muito cedo reconhecida e as primeiras enfermeiras de S. P. receberam a triplice missão de prestar cuidado ao doente, ensinar a profilaxia e a higiene. A enfermeira quando entra numa casa deve estar preparada para atender não só ao doente, prestando-lhe o cuidado necessario, como tambem ensinar-lhe como viver no melo coletivo sem transmitir a doença: ao lado disso educar a familia nos principios de higiene e eugenia.

A enfermeira moderna deve aliar á sua tecnica a função educadora, pois a instrução eficiente é a pedra fundamental da educação do povo.

Uma visita de enfermeira a domicilio só será completa se foi preenchida a sua triplice função.

Quando se prepara enfermeira de S. P. deve-se visar a educadora nos lares, a profissional competente e digna e com noção exata de seu valor e responsabilidade.

Terceiro Principio - E' o que se refere á etica profissional. Este é um dos mais importantes no ramo da Enfermagem, e principalmente no de Saúde Publica; deste principio depende muitas vezes o bom exito da profissão e o sucesso da Enfermeira.

Não tratarei aqui da etica em geral, seria muito longo, pois o assunto é vastíssimo, darei tão sómente os pontos principais a serem observados pela Enfermeira de Saúde Publica, no seu campo de ação.

A - Em relação aos medicos - A Enfermeira é a colaboradora inteligente e tecnica do medico e como tal ela deve agir em todos os ramos de sua atividade, impondo-se pela sua personalidade profissional.

Em nosso meio a Enfermeira de Saúde Publica ainda não é largamente conhecida, daí a razão pela qual ela, não é bem aceita por alguns medicos que sem motivo para isso, temem a sua influencia junto ao doente.

Na pratica, encontramos na maioria das vezes, barreiras quasi intransponiveis quando, em contato com doentes de medicos particulares; no entretanto essas dificuldades poderiam ser sanadas se eles conhecessem o trabalho da enfermeira a domicilio, cooperando assim grandemente para o desenvolvimento do serviço.

A enfermeira coma instrtuora sanitaria é o elo que une o doente ao medico e á Saúde Publica; seu trabalho tem se evidenciado nas resultados obtidos nas comunidades e avaliado pelo aumento de frequencia nos diversos ambulatorios, consultorios e dispensarios e pela educação do povo. Se bem que muito moroso.

Isso mostra que a enfermeira tem compreendido suas responsabilidades e se mantido no limite profissional pela observação das regras de etica.

Em essencia essas regras são as seguintes :

a) - A enfermeira não pode assumir as responsabilidades que pertencem ao medico.

1 -Não faser diagnostico, nem prescrever qualquer medicamento ou tratamento.

b) - Lealdade para com o medico.

1 - Não criticar o método usado por esse ou aquele medico.

2 - Não comentar as ordens nem o tratamento do medico.

c) - Não indicar ou influenciar na escolha de medico quer em ambulatorio, consultorio ou dispensario, quer em caso particular.

d) - Não hospitalizar doente de medico particular sem autorisação deste.

e) - Não aceitar ordens verbais ou recados para tratamento.

Quando em 1633, por tanto tres seculos atraz, S. Vicente de Paula organizou sua escola de Enfermeiras, já a preocupava esse ensinamento ás suas dicipulas - Lealdade para com o medico - Dizia então: "Procurae cumprir as ordens recebidas sem deixar transparecer a vossa maneira de ver. Respeitae os superiores, porque eles devem ter mais conhecimentos que vós. E' necessario tonar-vos instruidas porque só a ignorancia pode vos impedir de conhecer os diferentes métodos de tratamento".

Num vasto campo de trabalho como é o de Saúde Publica, não é raro a enfermeira encontrar um caso como por exemplo de tuberculose pulmonar aberla entregue a um medico completamente desinteressado no assunto; ela vê que o doente está perdendo o seu tempo e seu dinheiro, porém, nada póde fazer sem faltar as regras de etica.

Esse problema so será resolvido com a educação do povo sob o ponto de vista da importancia de procurar o especialista para tal ou qual doença.

B - Em relação aos doentes - No serviço domiciliar a enfermeira necessita mais que nunca aplicar as leis de etica para com os seus doentes e o povo da sua comunidade.

Ela precisa saber ouvir, saber ver e saber calar. A enfermeira deve aliar á sua afabilidade, atenção, indulgencia e bondade toda a discrição no seu modo de agir com os seus doentes e a coletividade.

E' de todo o dia o exemplo nas visitas aos tuberculosos: a metade deles não quer ou não fica satisfeita com a visita da enfermeira. Porque ? Porque teme pela sua visita revelar á visinhança a sua doença.

Como copiar essa confiança ilimitada que leva muitas vezes a enfermeira ao papel de confidente ?

Sabendo agir de maneira a não revelar a quem quer que seja o que chamamos "segredo profissional".

Muito auxilia a enfermeira os conhecimentos de Psicologia para conhecer os pontos fracos de seu povo.

A curiosidade é sempre despertada na visinhança quando a enfermeira bate á porta de um doente; toda a gente quer saber dela o que foi fazer e por quem foi solicitada a sua visita.

Vejamos em sintese quais os pontos principais que a enfermeira deve ler sempre em mente:

1 - Não comentar sobre os doentes nem as suas doenças com o povo do seu distrito.

2 - Não criticar atitudes tomadas pelos doentes durante a visita.

3 - Não usar o tratamento da segunda pessôa do singular.

4 - Respeitar a individualidade do doente e trata-lo com deferencia.

5 - Saber julgar com justiça e benevolencia.

Outro ponto tambem muito importante que não posso deixar de mencionar é sobre a atitude da enfermeira para com o doente; nunca falar sobre sua pessoa, seus atos e suas simpatias ou antipatias pessoais ou profissionais.

As relações da enfermeira com o doente devem ser meramente profissionais, ela deve se impor pelo seu valor profissional.

 


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QUARTO PRINCIPIO: COOPERAÇÃO - Outro principio fundamental sobre o qual pouco se falava no começo do movimento da enfermagem moderna e que no entanto é muito importante é - cooperação - que significa - trabalhar para um mesmo fim.

A enfermeira de S. Publica, em todo o logar que esteja é um dos mala valiosos agentes cooperativos da comunidade.

Ela coopera não só com os doentes e familias como com todos os ramos do serviço que está em contato.

Para ser uma bôa cooperadora, é necessario conhecer e observar umas certas regras indispensaveis.

A habilidade de conhecer os pontos de vista daqueles com quem trabalha auxilia muito no trabalho cooperativo; como tambem a inteligente tolerancia.

E' muito comum principalmente nas enfermeiras novas e inexperientes, encontrarmos o espirito de renovação achando sempre que no logar de tal ou qual posada, faria dessa ou daquela melhor maneira.

COOPERAÇÃO - trabalhar conjuntamente - vem por em evidencia o dever e a responsabilidade de cada um para com os diversos ramos de serviço.

O trabalho feito de comum acordo previne confusão e perda de tempo.

A gravura abaixo como símbolo cooperativo é expressiva no dizer: - COM ELA TUDO - SEM ELA NADA.

QUINTO PRINCIPIO - A enfermeira não deve se interferir na religião do doente.

Quando em 1859 William Rathbone fundou a primeira associação de Enfermagem de S. Publica, com a colaboração de Florence Nightingale, determinou que a enfermeira não deveria se intervir na religião do doente e isso é uma regra importante em todas as modernas organisações.

No distrito a enfermeira encontra adeptos de todos os tipos de religião, seu papel é respeitar todas sem interferencia da sua propria, muito embora que o fanatismo leve a pensar que a sua é a unica veraddeira.

Seu unico dever consiste em prestar auxilio religioso no caso de ser solicitado pelo doente ou suas familias, sem se importar que tal ou qual religião venha de encontro á sua propria.

A enfermeira deve se lembrar somente de auxiliar o doente no que for necessario ajudando-o a erguer o moral, exortando-o a paciencia e a resignação sem contudo manifestar seus proprios sentimentos religiosos.

SEXTO PRINCIPIO - A importancia da exatidão dos relatónos do serviço feito a domicilio.

Este principio se bem que muito importante tem sido posto de lado por algumas organisações embora o tipo de serviço de enfermagem seja o melhor possivel.

Com o rapido desenvolvimento da cooperação e o crescimento de permutas de informações entre diversos serviços tornou-se evidente que a enfermeira de Saúde Publica possue esplendidas oportunidades de colecionar dados, que se tornam valiosissimos, não só para o serviço propriamente dito. como lambem para uso de qualquer organisação como por exemplo os Serviços Sociais. A ampliação dos serviços e o desenvolvimento dos métodos do vigilancia trouxe a necessidade de organisar um sistema de fichas com todas as informações necessarias, não só relativas ao doente e á familia como tambem ás condições da habitação e do modo de vida.

Todo o serviço moderno de Saúde Publica é construido sobre um perfeito conhecimento cientifico. A parte contribuida pela enfermeira é uma das mais importantes e todo estudo sobre saúde e higiene não será completo sem os dados compilados por ela.

Em resumo, a enfermeira gradualmente vae compreendendo quo necessita não sómente fazer um primoroso trabalho, mas tambem perfeitos relatorios escritos nas fichas e que isto é de vital importancia no desenvolvimento do serviço de Saúde Publica.

SETIMO PRINCIPIO: - Este principio se refere ao salario da enfermeira.

Com o desenvolvimento da enfermagem moderna tomou-se necessario voltarmos as vistas para a compensação monetária da enfermeira diplomada.

A mulher que abraça a profissão tão nobre e alevantada que é a enfermagem, traz comsigo um ideal que sempre a encaminhará para a frente, para o cume da montanha - que é - o prazer do dever cumprido.

Mas, ao lado disso ela tem que pensar no seu fisico, na sua saúde para poder repartir um pouco de si com os que dela necessitam .

Como uma enfermeira pode manter o equilíbrio de saúde e bom humor sem conforto fisico? Além disso a enfermeira moderna tem a sua apresentação social no meio o mais elevado, necessitando para isso ser bem remunerada.

Ao lado disso uma moça que faz um curso numa escola de Enfermeira, que traz a sua educação profissional bem equilibrada não pode se sujeitar a um infimo salario, igual a outra que nunca passou por uma escola cientifica.

Precisamos sempre nos bater pela bôa remuneração das nossas enfermeiras diplomadas.

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