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Volume 13, Número 1, Jan/Mar - 2009

EDITORIAL

 

Do todo para a parte: a busca do singular na produção de enfermagem

 

 

Marcos Antônio Gomes BrandãoI

I Editor Associado da Escola Anna Nery Revista de Enfermagem. Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem Fundamental. Docente do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação da EEAN/UFRJ. Pesquisador do Núcleo de Pesquisa de Fundamentos do Cuidado de Enfermagem (Nuclearte). Pesquisador do Grupo de Estudos em Aprendizagem e Cognição (GEAC). Brasil. E-mail: marcosagbrandao@yahoo.com.br

 

 

Iniciando o ano editorial de 2009 da EAN Revista de Enfermagem, deixamos ao leitor o convite para um exercício atento de buscar elementos centrais tratados nos artigos. Para isso, comecemos olhando para os artigos procurando pelo que poderia conferir aos mesmos uma identidade comum. A priori, destacamos que não se trata de um exercício de categorização simples ou fácil, dada uma patente complexidade e amplitude no material.

Sugerimos iniciar pela busca do contraste, e não da figura; ou seja, não almejar pela singularidade, mas pela própria multiplicidade.

No plano conceitual, os teóricos têm se esforçado por recortar a dimensão da Enfermagem na busca de um claro objeto da disciplina. No entanto, a cada publicação da área, intensifica-se a sensação de que somos mais complexos do que a nossa capacidade de delimitação, conceitualização e classificação. O que verificamos no presente número da Revista é uma ecologia de construtos e evidências de pesquisa, dentre construções sobre os saberes, as práticas, as subjetividades e as tecnologias em cenários familiares (presenciais) e também em cenários novos (virtuais).

Os artigos são diferentes entre si, o que torna difícil um simplificação categórica. Contudo, quando olhamos o todo formado por eles, verificamos uma propriedade decorrente da soma: a multiplicidade. Sendo assim, como parte indissociável de um todo, eles também são múltiplos. Ainda mais, são parte de uma ciência que é múltipla.

Busquemos agora outro atributo presente ao conjunto da produção científica, a saber: o do movimento.

O conhecimento na perspectiva construtivista não é visto como algo estático, ele oscila e até se move em espiral. Na oscilação, a produção de Enfermagem desloca-se entre os conceitos constituidores do metaparadigma (indivíduo, saúde, ambiente e enfermagem) e entre as diversas caracterizações do cuidado. Não é diferente com os artigos aqui contidos. Contudo, o verificado movimento de oscilação jamais retorna ao mesmo ponto. A cada ciclo mais se aprofunda, mais se transforma, mais se torna espiral.

As produções científicas geram um movimento de combustão capaz de nos mover do ponto de conhecimento em que hoje estamos para um novo local. Porém, há pelo menos duas perspectivas de observação diante deste movimento.

A primeira é a do olhar mais pontual para os resultados e reflexões decorrentes da produção científica específica de cada artigo em separado. Ainda que salutar, a visão especializada nem sempre nos deixa a possibilidade de atentar para uma evidência que reside em plano mais elevado: a de que estamos nos movendo coletivamente na construção desta ciência que denominamos ciência da Enfermagem. Sabemos que o tempo é exíguo, a informação disponível é virtualmente infinita e nós somos certamente mortais. Esta equação nos leva a embarcar em um vagão de certo modo suficiente em si, porém, incapaz de dimensionar o todo das diversas composições deste trem.

Já que o ano está ainda começando, então, o convite mais genérico é o ofertado. Assim, a segunda perspectiva de olhar é a recomendada. Exercitemos a reflexão para além das questões mais pontuais. Coloquemo-nos sobrevoando os vagões e vendo o quão múltipla, vasta e móvel tem sido a ciência produzida pela disciplina de Enfermagem. Se inicialmente convidamos o leitor ao exercício de busca dos elementos centrais aos artigos, findamos por ter defendido a ideia de que o movimento da identidade da produção não é obtido apenas da parte para o todo, mas, também, do todo para a parte. É um desafio; entretanto, os desafios são boas propostas para se começar um ano.

 

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